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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Coisas que só acontecem em escolas... (na nossa não leitor, nessas outras escolas por aí)

É verdade amados, quanto mais se vive, mais se vive, logo, mais se envelhece. Digo isso porque um dia desses, de repente, assim do nada, mas do nada mesmo! Só não vou jurar, porque não ia adiantar. Mas que aconteceu, aconteceu: Estava eu, numa calma e fria manhã(uns 33 graus em Macapá), quando de repente, não mais que de repente, ouví aquela voz, mofina, nervosa:
- Professora, quebrei meu nariz!!!
Nossa! Esperava tudo para aquele dia abençoado, mas, sangue vivo escorrendo de um nariz tão pequenino... Não! Olha, não! Foi demais para esse vivido coração. Meu primeiro impulso foi fazer os primeiros socorros, mas, aquele sangue vermelhinho da silva alí jorrando, insistia em me fazer desmaiar. E quando eu já me sentia desfalecendo, uma alma caridosa entendeu minha aflição e saiu em socorro àquela criança, que apesar de toda ensagüentada, aguardava calmamente que eu me refizesse... O que obviamente, não aconteceu. Então, como eu ia dizendo, uma boa e velha colega de trabalho, pegou o frasco de soro fisiológico da minha mão - que por não ter como furar, já estava resolvendo meter os dentes - enxarcou no gase e começou a fazer o que eu deveria ter feito à minutos atrás. E quando o sangue deixou transparecer o sorriso daquela aluninha, me sentí aliviada. E com sua voz fininha, me olhou e disse:
- Obrigada professora!
Com minhas mãos trêmulas - e ainda estão até hoje, quando lembro - e me sentindo totalmente inútil, sorrí para ela e disse um amarelo "não tem de quê." Hoje, relembrando essa história, dedico esse blog, para todos os profissionis da educação que em algum momento de sua profissão, sentiram-se inúteis, limitados, impotentes (no sentido profissional, por favor, este blog é um blog de respeito), com uma lacuna infinitamente impreenchível, e para àqueles também (como foi o caso da minha colega, literalmente sangue frio, que com calma e tranqülidade limpou o nariz da criança), que muitas vezes fizeram todo o trabalho pesado e outros levaram os louros, para que percebam, que mesmo quando não fazemos nada por nosso aluno, seja, deixando de limpar sangue do nariz, seja não esclarecendo aquela dúvida, ou ajudando a enfraquecer sua auto-estima, estaremos marcando sua vida... para sempre...

Que sejamos educadores a tal ponto, que quando ele nos encontrar nas esquinas da vida, se não conseguirmos lembrar dele pelo nome, mas que ele lembre de nós, como aquele que o transformou em uma pessoa melhor.

Entre sangue, suor e lágrimas, o verdadeiro educador é aquele que
reconhece suas limitações e não se esquiva de aprender... sempre. Por isso, tenha medo de limpar sangue, mas tenha pavor de fazê-lo jorrar.

(Kátia Domingos).

Se você possui uma experiência que marcou sua vida enquanto educador, mande para meu e-mail que terei a maior satisfação em publicar. Um abraço e ate lá.

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